Fórum Ibero-americano para o Desenvolvimento da Banda Larga quer 75% de penetração até 2015 – VI

O evento ocorreu de 21 a 23 de junho, no Hotel Maksoud Plaza na capital paulista, numa promoção da AHCIET – Associação Ibero-americana de Centros de Pesquisa e Empresas de Telecomunicações. É parte do projeto "TIC e Inclusão Social", nascido dos encontros de chefes de estado e governos ibero-americanos. Antonio Carlos Valente preside a entidade. Compareceram quase 300 convidados, de 19 países, num encontro marcado pela excelência do conteúdo e dos participantes. A sexta da parte da cobertura do fórum ainda com as soluções tecnológicas para acessar a banda larga.

A Ericsson e Huawei, citadas nesta matéria, são Associadas TELEBRASIL.

O Painel 2 – um dos quatro painéis do fórum – tratou de “Soluções Tecnológicas para o Acesso à Banda Larga-Redes Fixas, Móveis e Satélites”. Foi moderado pelo engenheiro Hélio Machado Graciosa, presidente da Fundação CPqD, Brasil. No formato do evento, cada painel teve uma parte de conferências e outra de mesa-redonda com debates.

Apresentaram conferências sobre “Infraestruturas para serviços convergentes de banda larga”: Jorge Salomão Pereira (PadTec, Brasil); Wilson Cardoso (Nokia-Siemens, América Latina); Joeval Martins (Motorola, Brasil); Eduardo Santos (Ericsson, América Latina); e Marcelo Motta (Huawei, Brasil).

Os desafios da convergência totalmente IP (Ericsson)

O mestre em Comunicações Eduardo Santos, gerente de Assuntos Corporativos da Ericsson, apresentou “Challenges for All IP Convergence” ou “Desafios para a Convergência Totalmente IP”.

A mensagem básica: para que a previsão de 50 bilhões de dispositivos digitais no mundo se realize – a previsão é para 2020 –, será preciso utilizar soluções IP (Internet Protocol). As projeções mostram que, em 2007, a banda larga fixa representava cerca de 70% do total. Passados três anos, em 2010, a situação praticamente se inverteu e deverá se manter assim para o futuro. A mobilidade vai dominar, daqui por diante, o acesso banda larga.

A tendência aponta para um número cada vez maior de dispositivos eletrônicos seja no lar, no escritório ou na rua. O mundo, em 2020, estará conectado com aplicações pessoais, móveis e com interoperabilidade de todo o tipo. Graças ao mundo digital IP, aparelhos domésticos, máquinas de venda, consoles de jogos e câmeras na rua e outros dispositivos mais poderão se conectar a um custo por bit otimizado.

A futura rede, totalmente IP, estará baseada numa transformação completa envolvendo uma arquitetura de referência, fim a fim. Essa nova rede precisará ter segurança em seu funcionamento, economia de escala, tecnologia padronizada e escalonamento progressivo dos serviços. E como se isto não bastasse, “deverá levar em conta os aspectos ecológicos”, lembrou o palestrante.

A Internet banda larga evolui do sistema fixo para o móvel. As aplicações evoluem para uma utilização cada vez maior de recursos de computação via Internet, como o Saas (software as a service); Paas (platform as a service); e Iaas (infrastructure as a service). A segurança das redes fica cada vez mais importante para prevenir o spoofing (remetentes falsos) e os botnets (intrusões).

As redes de primeira geração comunicavam computador a computador, sem roteamento. Na segunda geração, a comunicação foi entre redes IP, com um roteamento básico. Na terceira geração, o usuário passou a acessar a Internet via rede fixa de banda larga. Na atual quarta geração ocorre a ligação usuário-usuário, via Internet móvel banda larga e com serviços IP convergentes.

A ultrabanda larga (Huawei)

O engenheiro Marcelo Motta, diretor de Marketing e Soluções da Huawei do Brasil, tratou de “soluções tecnológicas para o acesso à banda larga”. Serviços eletrônicos estão cada vez mais onipresentes (ubíquos) na vida das pessoas. Graças às telecomunicações, ocorre uma multidão de opções no entretenimento, negócios, relacionamento com governo e entre indivíduos. As redes que prestam tais serviços estão, graças à mobilidade, indo a toda a parte e com uma grande variedade de dispositivos. Siglas como B2B (business to business), B2C (business to consumer), B2G (business to government) que refletem a utilização da Internet estão cada vez mais presentes.

Ressaltou o palestrante que o usuário ainda enxerga diversos maneiras de acessar os serviços, ao passo que almejaria ter um provedor único. A tendência na indústria é simplificar o uso desse grande (e ubíquo) universo eletrônico. A rede passará a oferecer serviços convergentes para os usuários. O mercado reorganiza sua cadeia de valor via consolidações e integrações.

A época da ultra banda larga para os usuários – fala-se de 20 a 100 Mbit/s e mais –está chegando. O aumento do tráfego está sendo comandado pelas comunicações de vídeo e de dados, com mobilidade. Países têm planos para aumento da banda larga. Até 2012, a França tem planos para 33% da sua rede funcionando a 100 Mbit/s e a Coreia, 100% da rede a 1Gbit/s.

Na América Latina, a implantação da banda larga, comparada com outros serviços, está atrasada. O Brasil, com seis acessos/100 habitantes para banda larga fixa e 3,6 para a móvel, está abaixo da média mundial, respectivamente, de 7,1 e 9,5. Comparado com Chile e Argentina, o Brasil tem melhor densidade na banda larga móvel e perde para a fixa. O crescimento da banda larga móvel está, porém, crescendo no Brasil. A destacar o crescimento do telefone inteligente (smartphone) para a universalização dos serviços de telecomunicações.

No Brasil, o preço da banda larga é relativamente elevado, se comparado com outros países. Um pacote de 500 Mbyte/s tem o custo médio no Brasil de R$ 69,90, enquanto no Chile é de R$ 54,32; na Argentina, R$ 31,65; e no México, R$ 28,66. Comparado com a Europa, 1 Gb no Brasil tem o custo médio de R$ 84,90, contra R$ 87,31 na Espanha; R$ 55 em Portugal; e R$ 39,94 no Reino Unido.

Dentre as causas do alto preço da banda larga móvel no Brasil destaca-se a alta tributação que pesa sobre o serviço e a penetração que ainda é relativamente baixa. O Brasil é um país que vive várias realidades. Um estudo mostra que 70% da população do País gastaria até R$ 300 para adquirir um computador e R$ 10 mensais para acessar a Internet.

A fonte da riqueza

O aumento crescente do tráfego – mede-se em Petabytes/ano – vai demandar mais espectro; mais tecnologias sem fio, para acessar o usuário; e mais fibras ópticas e rádio IP para o transporte de informação. Nas tecnologias de acesso sem fio, frequências mais baixas, como 450 MHz, dão maior cobertura geográfica, mas têm menor capacidade de tráfego. Frequências mais altas, como 3.5/2.5 GHz, utilizadas no Wi-Max, têm menor cobertura e maior capacidade de tráfego.

O conceito é simplificar a complexidade das redes atuais para uma arquitetura digital de pacotes IP, para uma comunicação fim a fim em banda larga e ultralarga. Tal rede é necessária para manejar o novo tráfego multimídia de vídeo e dado que se avolumam. A arquitetura da nova rede, totalmente IP, se dá em três níveis interligados: núcleo (core, backbone), backhaul (retaguarda) e acesso (fixo e sem fio).

O núcleo IP utiliza um anel de transporte ótico com multiplexação por comprimento de onda (WDM) e roteadores. Estes fazem interface com anéis ópticos metropolitanos de tráfego otimizado. O acesso ao usuário final pode se dar por fibra óptica, par metálico ou rádio.

Ao finalizar sua palestra, mostrou Marcelo Motta que a época da comunicação de voz deu lugar a da banda larga e da banda ultralarga. A evolução da tecnologia leva a faixas passantes cada vez mais altas. A otimização das redes de pacotes totalmente IP está diminuindo custos, e novas aplicações de uma onipresente banda ultralarga vai acrescer ao rendimento por usuário.

“O trio ABC, de Arpu (average revenue per user), Bandwidth (banda passante) e Custos, vai conduzir a uma ‘Golden Pipe’. Ou seja, uma fonte de riqueza”, acenou o conferencista.

Futuro digital das cidades (Motorola)

O matemático Joeval Martins, gerente de Desenvolvimento de Canais da Motorola no Brasil, centrou sua palestra no “Futuro Digital das Cidades”, com base na banda larga sem fio. A empresa está no Brasil há um quarto de século. Sua unidade fabril em Jaguariúna (SP), desde 1998, com investimentos de US$ 550 milhões, possui seis mil funcionários. O quadro no Brasil se completa com US$ 150 milhões em P&D e com a Motorola University.

A empresa conta no País com mais de 170 projetos de cidades digitais, enfocando o município. Em termos de oportunidade, um grande número de cidades brasileiras tem projeto para instalar sistemas de Internet sem fio e muitos municípios querem interligar seus órgãos públicos para oferecer à população serviços de maneira integrada. “Montar primeiro a rede integrada no município e depois ir acrescentando serviços”, recomendou o palestrante.

A comunicação ofertada para municípios vai do núcleo da rede até o acesso sem fio nas pontas. Tecnicamente, utiliza-se uma WLAN (wireless local area network) com rádios ponto-multiponto (PMP), ponto a ponto (PTP) e mesh (malha). Diversas tecnologias estão embutidas nesse esquema. O rádio PTP não precisa ter visada direta e pode utilizar mimo (multiple input-multiple output) para reforçar o sinal. Os sítios PMP são sincronizados utilizando GPS (global positioning satellite). A rede em malha é autorregenerável com base em tecnologia rádio de uso militar.

A rede municipal precisa estar no ar 24 horas, sete dias na semana, 365 dias no ano. No projeto é preciso definir em que frequência operar (2.4, 3.5, 5.7 ou 5.8 GHz). A Polícia Militar na cidade de São Paulo adotou um sistema de 200 câmeras de videomonitoramento nas ruas – serão 500 até o final de 2010 –, com zoom ótico e rotação de 360º. As imagens são transmitidas ao Copom/SP (Centro de Operações da Polícia Militar) por meio de uma rede Wi-Max de frequência de domínio público.

Um sistema de sensores acústicos ultrassensíveis aliado a GPS – 40 cidades norte-americanas já usam –, colocados no topo de prédios, permite detectar o som de um tiro de arma de fogo. O sistema localiza por triangulação o local do tiro e aciona, via rádio, a viatura policial mais próxima, que chega rapidamente. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul serão os primeiros a implantar o sistema.

Em Aparecida do Norte (SP), local de peregrinação para os católicos, um sistema de monitoramento com 58 câmeras vai controlar, em tempo real, todo o entorno da basílica e pontos estratégicos da cidade.

(Continua)

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