ONU e UIT destacam a importância da Banda Larga – IV

Na virada da ampulheta do milênio, a Organização das Nações Unidas (ONU) focou o interesse do mundo sobre o que julgava nele estar errado e que ações poderiam ser feitas por conta disso. Dentre as metas: erradicar a extrema pobreza, a fome, as doenças; e promover o desenvolvimento, em cooperação com o setor privado. Uma retrospectiva atual. Veja, neste quarto e último segmento, o WSIS Forum 2010 e a Comissão Mundial para Banda Larga (CBML).

Continuamos, aqui, com a retrospectiva dos WSIS – World Summit on the Infomation Society Forum –, iniciada no segmento anterior.

WSIS Forum 2009 foi organizado pela ITU, Unesco, UNCTAD e UNDP, na sede da primeira, em Genebra (Suíça), de 18 a 22 de maio. Ao contrário dos fóruns anteriores, passou a ter o formato de um evento integrado.

Ocorreram no WSIS Forum 2009 debates de alto nível sobre “mecanismos de financiamento numa economia em declínio; mudanças climáticas; acesso ao conhecimento; cibersegurança; e aplicações das TICs para uma vida melhor”. Continuaram os encontros facilitadores das Linhas de Ação (C1-C11) dos fóruns anteriores. Foram introduzidos os encontros kick-off (chute inicial) e de troca de informações. A lembrar que foi em 2009 que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos três homenageados, recebeu, em Genebra (Suíça), a medalha da Sociedade da Informação.

WSIS Forum 2010

O ano de 2010 marcou o ponto médio, entre a Cimeira de Túnis, em 2005 e 2015, que é o ano das Metas do Desenvolvimento do Milênio da ONU e também dos objetivos da WSIS.

WSIS Forum 2010, de 10 a 14 de maio de 2010, reuniu as partes interessadas (stakeholders) na sede da organização da UIT, em Genebra. Foram coorganizadores a Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura –; a UNCTAD – Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento –; e a UNDP – Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas. Um sistema de consultas prévias, com a participação de 48 países, contribuiu para a Agenda do WSIS Forum 2010

O fórum, com mais de 600 participantes presenciais, teve acompanhamento eletrônico mundial dosstakeholders do governo, da sociedade civil e de organizações internacionais. Houve uma exibição internacional, na sede da UIT, com 21 estandes com mostras de atividades para a Sociedade da Informação.

O tema da sessão plenária, “Transformando Objetivos em Ação”, refletiu bem o clima geral do WSIS Forum 2010 e talvez a preocupação dos stakeholders relativa aos cumprimentos das metas da Sociedade da Informação até 2015.

O evento contou com cinco debates em alto nível. Dois trataram de banda larga e os demais sobre redes sociais, gerenciamento de desastres e cibersegurança e ciberespaço. Ainda aconteceram 15 encontros facilitadores de linhas de ação da WSIS e 20 seções temáticas de trabalho. Projetos novos encontraram guarida em seis encontros kick-off (chute inicial) e houve a troca de informações em seis eventos de relacionamento. Em resumo, um evento completo e denso.

O debate de alto nível sobre banda larga indicou que o tema é impulsionado por diversos vetores como as comunicações entre pessoas, entre pessoas e máquinas, na automação do lar e na chegada do IPV6 – Internet Protocol versão seis. Foi reiterado que as redes de banda larga de alta velocidade são importantes para melhorar a educação e a saúde das populações, além de prover a novas oportunidades para o crescimento da economia e para o comércio.

As promessas da banda larga não se farão apenas com a implantação da sua infraestrutura de transporte. As diversas aplicações precisarão ser dirigidas para prover para as comunidades educação, saúde e interação com o governo. Alta velocidade, ligação permanente, comunicações em tempo-real vão ajudar

As redes sociais no WSIS 2010

O atual fenômeno das redes sociais, suas implicações sociais e políticas e econômicas, não foi esquecido no encontro de Genebra. O debate foi conduzido pela Unesco, no âmbito do WSIS Forum 2010. Mais de 70 representantes de governos, legisladores, construtores de políticas, indústria e sociedade civil participaram desse debate. Banda larga é mais que novo meio tecnológico.

Se por um lado as redes sociais têm potencial para promover a liberdade de expressão e a participação cívica e política, por outro elas constituem um desafio à privacidade e ao ecossistema da mídia e do jornalismo. Redes sociais podem ser terreno para ações criminosas. O desafio é como explorar seu potencial sem comprometer os direitos civis e a privacidade.

Novos instrumentos regulatórios estão surgindo como o Guiding Principles for Social Networking, do Conselho da União Europeia. A 32ª Conferência sobre Proteção de Dados e Privacidade ocorreu em 2010, em Jerusalém (Israel), a anterior foi na Espanha. As conferências sobre proteção de dados são uma iniciativa da WPISP – Working Party on Information Security and Privacy – da OECD – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Comissão Mundial para a Banda Larga

O extenso nome já diz quase tudo. A Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Digital (CMBL), em inglês Digital Broadband Comission for Digital Development, é um órgão de cunho internacional de primeiro nível. A CBML nasceu da iniciativa da UIT e da Unesco, ambas ligadas às Nações Unidas. Simbolicamente, elas representam, respectivamente, a tecnologia e o conteúdo da informação, elementos nucleares na banda larga e na Internet.

A Comissão de Banda Larga se reuniu, em seção privada, em Genebra (Suíça), em 11/07/2010. Teve como missão dar a sua visão em como acelerar a implantação de redes de banda larga, através do mundo, para prover serviços para os setores sociais e dos negócios e na contribuição para as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDGs) da ONU, marcadas para 2015. Um primeiro relatório foi entregue, em 19/09/2010, ao secretário-geral das Nações Unidas, em Nova York, por ocasião da Cimeira da ONU sobre as MDGs.

Em comissões de âmbito internacional, quanto mais “notáveis participarem de uma comissão, mais impacto causará. Isso não faltou na CBML. Ela congregou 30 líderes mundiais paradigmáticos em tecnologia, negócios e setores sociais “para ninguém botar defeito”.

Na direção, Paul Kagame, presidente de Ruanda; e Carlos Slim Helú, chairman honorário vitalício do Grupo Carso e conhecido como umas das maiores fortunas do mundo. Tiveram como vice-presidentes: Hamadoun Touré, secretário-geral da UIT; e Irina Bokova, diretora-geral da Unesco. A lista continua com figuras de destaque no governo, indústria, agências internacionais, bem como relativas ao conteúdo a ser entregue pela banda larga que vão da educação e saúde ao entretenimento.

Como países representados na Comissão, citam-se ministros e representantes de vários governos, como Austrália, Estados Unidos, Finlândia, Índia, Macedônia, Samoa, Singapura e Uruguai. Pelaindústriatop executives da Alcatel-Lucent, China Mobile, Cisco, Digicel, Ericsson, Eutelsat, Google, Huawei, Intel, Microsoft, NHK, Qualcomm, Telefônica, Virgin Group e WPP. Pelas organizações internacionais, dirigentes da EDA – European Digital Agenda –; da EBU-UER – European Broadcasting Union –; e do CISPH – Internacional Council of Philosophy and Human Sciences.

Estiveram representados na comissão vários órgãos das Nações Unidas, como Unicef; UNCTAD – Conference on Trade and Developmet –; LDC – Least Developed Countries –; Desa – Department for Economic and Social Affairs –; UNDP – Development Programme –; UNF Foundation; ITO – Information Technology Office –; Office for Partnership, além da UPU – Universal Postal Union –; e da WIPO World Intellectual Property Organization.

Relatório da Comissão de Banda Larga Mundial

O relatório da comissão, um documento que pode ser acessado pela Internet, teve o título: “A 2010 Leadership Imperative: Toward a Future Built on Broad”. Numa tradução interpretativa significa que “será mandatório construir um futuro baseado na banda larga para todos”. Assim como houve o milagre da expansão da mobilidade na primeira década do século XXI, será preciso replicá-la para a banda larga.

Com sabedoria prudente, o relatório preferiu definir banda larga como “uma estrutura de rede capaz de entregar diversos serviços convergentes através de um acesso de alta capacidade com um mix de tecnologias”. Foram destacadas como características dessa banda larga um serviço always on, ou sempre ligado, em que não é preciso fazer uma nova conexão a cada vez, e alta capacidade capaz de carrear muitos dados por segundo ao invés de ser definida com uma velocidade determinada. (N.r.: que na prática raramente acontece).

Teoricamente, um filme em DVD de alta qualidade, com 4 Gigabyte, leva cinco minutos para ser transmitido num link a 100 Mbit/s. Se for um filme em CD, de 700 Megabyte, a transmissão cai para 56 segundos. Países como Coreia (100%), Dinamarca (75%), Austrália (90%) e Portugal (35% dos domicílios) possuem redes de fibra óptica até o consumidor final.

O relatório lembrou que há uma correlação entre banda larga e economia. A Alemanha prevê que a construção da banda larga vai criar um milhão de empregos na próxima década. Enquanto isso, o Brasil vê 1,4% de aumento do emprego devido à banda larga. China correlaciona um aumento de 2,5% do PIB a 10% de aumento da penetração da banda larga.

O relatório prevê que a banda larga móvel será a tecnologia de acesso para milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, onde a infraestrutura fixa é mais cara para desenvolver. Traduzindo, o relatório tem um enfoque pragmático. Nem todo o planeta poderá gozar de 100 Mbit/s que as redes de “fibra óptica até o consumidor” oferecem. Mas, haverá a vantagem da mobilidade além de que muita coisa poderá ser oferecida com as tecnologias sem fio.

Destacou o relatório que as Redes de Nova Geração (NGN), baseadas em banda larga, estão se tornando a espinha dorsal da economia digital. Foi consenso da comissão que “é preciso haver a liderança dos governos para a implantação da banda larga nos países com mecanismos de governação que lhe dê suporte”. Uma estratégia, da base para o topo, será necessária na construção do compromisso “Banda Larga para Todos”. O público em geral e os que decidem precisam se conscientizar dos benefícios sociais e econômicos da banda larga.

A maioria dos investimentos para banda larga será carreada pelo setor privado. Os fazedores das políticas precisarão trabalhar com a indústria e os investidores, para promover os objetivos dessas políticas de forma ampla. “Nas áreas nas quais o investimento privado não for factível, as autoridades públicas e as entidades privadas deverão encontrar maneiras inovadoras de cooperação para conseguir o acesso e a utilização generalizada da banda larga”.

A comissão criou um site “Share House” – em http://www.itu.int/bbcommision/share huse.html – para abrigar contribuições, relatórios, estudos de casos de países desenvolvidos e em desenvolvimento relativos à banda larga.

WSIS 2011 Forum

UIT, Unesco, UNCTAD e UNDP já estão convidando os stakeholders para participar do WSIS – World Summit on the Infomation Society Forum 2011 –, que acontece de 18 a 22 de maio de 2011, em Genebras (Suíça). A agenda do evento foi ultimada em fevereiro através de consultas prévias.

A participação remota ao evento está sendo prevista. “Na casa de ferreiro do WSIS Forum 2011, o espeto não será de pau”. A começar pelo web cast com computador ou laptop via Internet. NoLiveBlogI será disponibilizado material complementar ao web cast. Em cada seção do fórum, cinco minutos serão reservados para perguntas e respostas remotas e ao vivo. Para o webinar, salas terão conexão oferecendo vídeo e áudio. E diversas plataformas, como Twitter, Facebook, YouTube, Flicker e outras estarão disponíveis para a rede social do evento.

Acesse, aqui, o registro para o WSIS 2011

Acesse, aqui, a Declaração do Milênio

Acesse, aqui, as Metas de Desenvolvimento do Milênio:

Acesse, aqui, a Declaração de Princípios sobre a Sociedade da Informação

Acesse, aqui, o Plano de Ação sobre a Sociedade da Informação

Acesse, aqui, o Compromisso de Túnis de 2005 sobre a Sociedade da informação

Acesse, aqui, a Agenda de Túnis de 2005 sobre a Sociedade da informação

Acesse, aqui, Measuring the Information Society de 2010

Acesse, aqui, o Core ICT (TIC) indicators 2010 (n.r.: seis línguas; PDF, 94 p. 1,3 MB)

Acesse, aqui, o Report on the World Summit on The Information 
Society Stocktaking 2010: Tracking Process

Acesse, aqui, o Monitoring the WSIS Targets World Telecommunications Development Report 2010 –Mid Term Review

Acesse, aqui, o Calendário Global de Eventos do WSIS Stocktaking

Acesse, aqui, as informações sobre o WSIS Forum 2011 (n.r.: clique nos ícones de C1 a C11 para mais informação)

Acesse, aqui, o Relatório da Comissão de Banda Larga A 2010 Leadership Imperative The Future Built on Broad Band.

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