Renato Navarro Guerreiro (*15/01/1949 – † 28/02/2011)

TELEBRASIL, SINDITELEBRASIL e FEBRATEL lamentam, com grande pesar, o falecimento, aos 62 anos, ao alvorecer do dia 28 de fevereiro último, em Brasília, do engenheiro de Telecomunicações Renato Navarro Guerreiro, vítima de pertinaz enfermidade. Um dos participantes da privatização das telecomunicações brasileiras, foi o primeiro presidente da Anatel. O setor lamenta a perda do amigo e companheiro. Guerreiro, uma figura marcante no desenvolvimento das telecomunicações do País, entra para a história.

Renato Guerreiro nasceu em 15 de janeiro de 1949, na localidade de Oriximiná, onde o Rio Trombetas encontra o Amazonas e cujo nome indígena significa "muitas praias". Guerreiro, como era conhecido, nunca esqueceu suas origens paraenses. Nas excelentes palestras que proferiu, ao longo de sua intensa vida profissional, sempre citava sua Oriximiná como exemplo de localidade que, ao lado das grandes capitais do País, significava estar nesse imenso Brasil, "a ser conectado pelas telecomunicações".

Formou-se engenheiro eletricista, especialização em telecomunicações, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Trabalhou no Sistema Telebrás por mais de 20 anos, tendo exercido funções de gerência em diversas áreas. Foi diretor técnico, diretor de operações e presidente. No Sistema Telebrás, foi presidente do Conselho de Administração da Telebrás, da Telepará, da Telesp, da Telesc e da Telebrasília. Presidente da Telpe e do Conselho Fiscal da Telems, membro do Conselho Fiscal da Telems, diretor técnico da Telepará e da Teleamapá, além de diretor de operações da Telepará. 

No Governo Fernando Henrique Cardoso, Renato Guerreiro trabalhou no Ministério das Comunicações, cujo titular era Sérgio Motta, onde exerceu o cargo de secretário-executivo. Na ocasião, desempenhou relevante papel no projeto de elaboração do modelo mercadológico e do marco regulatório das telecomunicações que abriram espaço para a privatização da Telebrás e para a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Desempenhou, em várias ocasiões, a função de ministro de Estado. Foi também secretário de Serviços de Comunicações e diretor do Departamento de Tarifas da Secretaria de Serviços de Comunicações.

Guerreiro foi o primeiro presidente da Anatel, desde sua instalação, em 4 de novembro de 1997, até primeiro de abril de 2002. Renato Guerreiro foi confirmado como presidente da Anatel, quando atendia ao Semint 97 (Seminário Internacional), um tradicional evento do setor, realizado em Foz de Iguaçu (PR), que contou com a presença do secretário-geral da UIT, na ocasião, Pekka Tarjane; e de inúmeras personalidades nacionais e internacionais.

A influência de Renato Guerreiro como presidente da Anatel muito contribuiu, reconhecidamente, para estruturar a agência reguladora em seus primórdios e marcá-la pela excelência no contexto das demais agências.

Com sua saída da Anatel, em agosto de 2002, valendo-se de sua experiência profissional e passado o período de "descompressão" regulamentar, iniciou seus trabalhos frente à Guerreiro TeleConsult, que, em agosto de 2007, passou a atuar com a nova denominação e marca Guerreiro Consult.

Renato Guerreiro era de temperamento cordial, simples e leal, bom de conversa e sempre bem informado e atualizado. Formava uma rodinha de bate-papo aonde ia. Tudo isso com a maior naturalidade. Possuía um grande conhecimento sobre as sutilezas da legislação das comunicações. Ouvir suas palestras – e foram muitas – era ter uma aula de Brasil e de suas telecomunicações. Seus relatos e explicações, por mais complexos que fossem os temas, sempre eram feitos com a maior simplicidade.

Gostava de distribuir para os amigos um CD, num invólucro prateado, contendo a "Regulamentação Brasileira de Comunicações", da Guerreiro Consult. Era detentor de várias homenagens e condecorações, como a de Comendador da Ordem do Mérito Forças Armadas e de Grande Oficial da Ordem de Rio Branco. Foi autor do projeto “Comunicações – Infraestrutura para a Sociedade da Informação”, de 1994, uma referência para a reforma do setor no Brasil.

Renato Guerreiro morreu vítima de pertinaz enfermidade que combateu com estoica coragem por mais de dois anos. Havia até um blog torcendo por seu restabelecimento. O velório de Renato Guerreiro foi realizado na capela 1 do Cemitério de Brasília. A cerimônia de cremação ocorrendo na terça-feira, dia primeiro de março. Ele deixou viúva, D. Carol, dois filhos (Vivian e Thiago) e três netos. Thiago Castelo Branco Guerreiro, um engenheiro da computação pelo Centro de Ensino Universitário de Brasília (UniCeub), em 2005, é da Guerreiro Consult.

Sobre a TELEBRASIL – Associação Brasileira de Telecomunicações, da qual era membro do Conselho Consultivo, eis o que escreveu por ocasião do "livro dos 30 anos" da entidade: "Há instituições cuja imagem se confunde com a própria história do País, em determinados períodos de sua história". Será possível agora dizer: "Caro Guerreiro, você nos deixou para entrar, sem dúvida, para a história das telecomunicações brasileiras".