Harmonização do espectro é vital para a banda larga móvel

03/08/2017

A harmonização do espectro é crucial para o Brasil se preparar para a nova era da conectividade que virá com o 5G. A advertência é feita pela diretora da Área de Espectros Futuros da GSMA, Luciana Camargo. Em entrevista à newsletter da Telebrasil, a especialista destaca que os consumidores do Brasil se beneficiaram do papel ativo desempenhado pela indústria e pelo governo para garantir que o País esteja alinhado com o espectro harmonizado para a banda larga móvel.

“Esse trabalho é realizado internacionalmente por organizações como a União Internacional de Telecomunicações (UIT). Espectro amplamente harmonizado para 5G será essencial para garantir dispositivos de baixo custo, permitir roaming e minimizar interferência com países vizinhos”, afirma Luciana. “Além disso, será impossível cumprir todo o potencial do 5G, a menos que uma quantidade suficiente de espectro seja harmonizada”, reforça.

De acordo com Luciana, o espectro necessário para oferecer cobertura generalizada e suporte às várias vertentes do 5G é dividido em três faixas de frequência principais: abaixo de 1 GHz, entre 1 e 6 GHz e acima de 6 GHz.

A faixa abaixo de 1 GHz fornecerá cobertura generalizada em áreas urbanas, suburbanas e rurais e ajudará a apoiar serviços de Internet de Coisas (IoT). Luciana diz que, no Brasil, isso inclui o refarming de faixas já em uso, além da liberação de espectro móvel adicional (por exemplo, em 900 MHz).

Entre 1 e 6 GHz, há uma mistura de cobertura e capacidade, incluindo a faixa 3.3-3.7 GHz, que será a base de muitos serviços 5G iniciais. No Brasil, segundo Luciana, a implementação deve ocorrer em 3,4-3,6 GHz. “No entanto, outras faixas móveis existentes também sofrerão refarming para 5G ao longo do tempo”, completa.

A faixa acima de 6 GHz é necessária para atender as velocidades de banda larga ultra-altas previstas para 5G. Luciana ressalta que a versão 5G superrápida somente será possível se os governos apoiarem faixas adicionais para a banda larga móvel na Conferência Mundial de Radiocomunicações (WRC-19), no âmbito da União Internacional das Telecomunicações (UIT), que será realizada em Genebra, Suíça, de 28 de outubro a 22 de novembro de 2019.

Ela diz que as várias faixas acima de 24 GHz estarão em foco na WRC-19. “As faixas prioritárias para a GSMA incluem 26, 32 e 40 GHz. Há, no entanto, algumas faixas sendo consideradas para 5G que não estão em discussão na WRC-19 – mais notadamente a faixa de 28 GHz, apoiada por EUA, Japão e Coreia do Sul”, ressalta.

Um componente vital da harmonização do espectro para 5G será o uso de tuning range, por permitir que o mesmo equipamento tenha suporte a bandas diferentes em faixas de frequências semelhantes. “Neste caso, o equipamento usado para implementações iniciais de 5G nos EUA e na Coreia do Sul, operando em 28 GHz, também pode suportar a faixa de 26 GHz, que será usada para implementações em outras regiões”, completa.

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