Maior projeto agrícola de IoT no Brasil usa LTE para efetivar controle em tempo real

04/07/2017

Uma solução que reúne o desenvolvimento de rede móvel de quarta geração baseada na tecnologia LTE (Long Term Evolution) e sensoriamento de RFID, licenciada para a Trópico, empresa do Universo CPqD, está sendo testada para resolver, em tempo real, grande parte dos problemas originados em 300 mil hectares de cultivo de cana-de-açúcar do Grupo São Martinho S/A, que possui ainda quatro usinas sucroenergéticas, sendo três no estado de São Paulo e uma em Goiás. O gestor de Inovação do Grupo São Martinho, Walter Maccheroni, afirma que o projeto é o mais importante de Internet das Coisas do grupo.

“Com a solução de conectividade desenvolvida pelo CPqD, que prevê o uso de uma rede 4G em toda a extensão da lavoura, será possível fazer análises preditivas dos equipamentos, evitando perda de produtividade, pois poderemos nos antecipar a problemas apresentados pelo maquinário agrícola; será possível reduzir os deslocamentos de colaboradores em campo, diminuindo riscos, e ainda teremos uma aplicação mais eficiente de sistemas de controle biológico, que dependem da extração precisa de dados ambientais”, detalha Maccheroni.

O projeto, apoiado pelo BNDES Fundo Tecnológico (Funtec), foi desenvolvido em fases, e a primeira foi centrada na pesquisa e no desenvolvimento da arquitetura de rede. Nessa etapa inicial, também está prevista a prova de conceito, na Usina São Martinho, localizada em Pradópolis (SP).

“Em todas as nossas áreas agrícolas, tanto em São Paulo como em Goiás, já havíamos instalado torres compatíveis para receber os equipamentos de conectividade. Na Usina São Martinho, o projeto já está em prova de conceito com os equipamentos instalados em duas torres. Até o início da próxima safra, em 1º de abril de 2018, os equipamentos serão instalados nas outras quatro torres da usina e entrarão em operação, abrangendo 130 mil hectares com cobertura 4G”, explica o gestor de Inovação do Grupo São Martinho.

Fabrício Lira Figueiredo, gerente de Tecnologias de Comunicações sem Fio do CPqD e coordenador geral da primeira fase desse projeto, afirma que o foco é a criação de uma infraestrutura de comunicação e implantação de um sensoriamento eficiente e flexível.

O objetivo é aumentar a produtividade das operações no campo em todas as suas fases – do plantio e colheita da cana-de-açúcar até o seu transporte para as linhas de processamento industrial. “A rede de comunicação LTE viabilizará células com raio de cobertura de dezenas de quilômetros, provendo mobilidade, qualidade de serviço e taxas elevadas de transmissão, por meio de arquitetura composta de estação radiobase e terminais veiculares adaptados aos requisitos operacionais das usinas de cana”, afirma o especialista.

Até então, conta Walter Maccheroni, todos os dados das operações agrícolas chegavam com muito atraso, o que dificultava a tomada de decisões. “Muitas vezes, conhecíamos o problema 72 horas após a ocorrência. Sem o dado em tempo real, a decisão era analítica, não podia ser preditiva. Agora, nossos dados trafegam em cartões de memória e algumas informações são transmitidas via rádio, que tem uma limitação para o volume de dados”, ressalta. Na iniciativa estão sendo usados leitores e etiquetas de RFID em várias máquinas e objetos envolvidos na colheita da cana-de-açúcar, como tratores, colhedoras, carretas e caminhões.

O gestor de Inovação do Grupo São Martinho acrescenta que os resultados dessa fase vão assegurar a conectividade necessária para que ocorra a transmissão de dados do campo para o Centro de Operações Agrícolas (COA). “Com essa integração e com a expansão da nova infraestrutura de comunicação e sensoriamento para as outras usinas do grupo, também prevista na segunda fase do projeto, ganharemos uma capacidade de análise única, que certamente vai ampliar nossa competitividade no mercado”, completa Maccheroni.

O Grupo São Martinho está entre os maiores grupos sucroenergéticos do Brasil, com capacidade aproximada de moagem de 22 milhões de toneladas de cana. As usinas São Martinho, Santa Cruz e Iracema produzem açúcar e etanol, enquanto a Usina Boa Vista é dedicada exclusivamente à produção de etanol.

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